Debaixo de um velho e torto salgueiro,
Parecido a marinheiro cansado e carcomido por sol, vento e sal;
Sentada numa pedra – provável que de basalto,
Olhava o mar.
Olhava o mar , apenas o olhava
Com toda a sua grandeza!
Como quem o olhou a vida toda e não vê nele novidade?... ou veria!
À sua frente rochas, e ainda mais algumas rochas,
Depois das rochas - água branca (o mar nelas batido)
Depois do mar, muito depois, mais um enorme rochedo – na linha do horizonte.
Olhou melhor o mar .
– nele surfavam “ovelhas brancas”
Como verdadeiras e valentes surfistas
Ora a apanhar a onda ora na crista da onda
Ora nelas desapareciam ora nelas mergulhavam...
O mar estava a zangar-se – era o mau tempo!
Quantos barcos por ali passaram a cortar o mar com a proa!
Quantos pararam e esperaram passar a tormenta!
Quanta esperança e fé idas
Quantos marinheiros por ali perdidos...
Mas o mar é assim mesmo
É o homem no seu ser mais selvagem
Que manso acorda para adormecer rabugento
Que tanto nos dá vida como a tira
É aprender a olhar para ele, estudar a sua personalidade
Sempre temperamental
Tirar-lhe as medidas e aprender a ter-lhe respeito!
Seguro é pois, olhar debaixo dos salgueiros
Mas nos salgueiros? amarrada à rocha? ancorada?
Isso é para a lapa e mesmo assim...
fraca aventura!
Aventura é enfrentar o Mostrengo ao Cabo da Boa Esperança
ou semelhante
Uma prece a Neptuno
Outra a Santa Bárbara! Outras divindades, venham elas!
A glória está além basalto e não aquém
Para trás fica a vinha vindimada ou por vindimar
Em frente o mundo que não é de ninguém
Ouve-se o grito interior de descobertas.
2 comentários:
Até Almeida Firmino faria destas as suas letras.
Obrigada Ruca,
pois n sendo Almeida Firmino filho legítimo dessas pedras de basalto, foi adoptado e sentiu bem o que é viver numa ilha. Assim, iria bem perceber. Ele próprio faria também o seu comentário.
M.
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