terça-feira, 27 de novembro de 2007

Sob os salgueiros


Debaixo de um velho e torto salgueiro,

Parecido a marinheiro cansado e carcomido por sol, vento e sal;

Sentada numa pedra – provável que de basalto,

Olhava o mar.

Olhava o mar , apenas o olhava

Com toda a sua grandeza!

Como quem o olhou a vida toda e não vê nele novidade?... ou veria!

À sua frente rochas, e ainda mais algumas rochas,

Depois das rochas - água branca (o mar nelas batido)

Depois do mar, muito depois, mais um enorme rochedo – na linha do horizonte.

Olhou melhor o mar .

– nele surfavam “ovelhas brancas”

Como verdadeiras e valentes surfistas

Ora a apanhar a onda ora na crista da onda

Ora nelas desapareciam ora nelas mergulhavam...

O mar estava a zangar-se – era o mau tempo!

Quantos barcos por ali passaram a cortar o mar com a proa!

Quantos pararam e esperaram passar a tormenta!

Quanta esperança e fé idas

Quantos marinheiros por ali perdidos...

Mas o mar é assim mesmo

É o homem no seu ser mais selvagem

Que manso acorda para adormecer rabugento

Que tanto nos dá vida como a tira

É aprender a olhar para ele, estudar a sua personalidade

Sempre temperamental

Tirar-lhe as medidas e aprender a ter-lhe respeito!

Seguro é pois, olhar debaixo dos salgueiros

Mas nos salgueiros? amarrada à rocha? ancorada?

Isso é para a lapa e mesmo assim...

fraca aventura!

Aventura é enfrentar o Mostrengo ao Cabo da Boa Esperança

ou semelhante

Uma prece a Neptuno

Outra a Santa Bárbara! Outras divindades, venham elas!

A glória está além basalto e não aquém

Para trás fica a vinha vindimada ou por vindimar

Em frente o mundo que não é de ninguém

Ouve-se o grito interior de descobertas.

2 comentários:

Anónimo disse...

Até Almeida Firmino faria destas as suas letras.

Trilhos-de-Basalto disse...

Obrigada Ruca,
pois n sendo Almeida Firmino filho legítimo dessas pedras de basalto, foi adoptado e sentiu bem o que é viver numa ilha. Assim, iria bem perceber. Ele próprio faria também o seu comentário.
M.