quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Onde estás tu?


“ Lisboa, 13 de Setembro de 2001


Meu Caro M


São neste momento mais de 2 horas da madrugada e estou sem sono.

Tentei ver TV, tentei ver um filme, ler...tudo sem sucesso.

A minha cabeça é um vendaval de pensamentos e confesso: muito gostaria eu de poder falar contigo neste momento.

Tenho saudades das nossas longas conversas. Tinhas o dom de me serenar e nunca percebi bem porquê!

Também tu foste um bálsamo para mim nestas férias, no seio da família, mas também de desterro (ou quase).

Pelas minhas contas, as tuas férias já deveriam ter acabado, mas ainda não tive notícias tuas. Leva-me a perguntar se alguma vez voltarei a ter.

Foi muito bom o tempo que conversámos, horas imaginadas frente a frente. Infelizmente nada se repete.

Escrevo um pouco à deriva! Não sei se esta folha rascunhada encontrará o caminho do correio ou o fundo de uma das minhas caixas de cartão. Não importa. Apetece-me apenas escrever.

Qual terá sido a tua decisão? Será que durante este tempo tomaste alguma? Será que já estás na “1ª mudança” ou ainda “em ponto morto”? A primeira opção seria uma boa opção... mas o que quer que seja... que seja pela tua felicidade.

Muitas vezes recordo, como que em “voz off”, das coisas, palavras que dissemos um ao outro; aquela presença quase constante de ser surpreendida ora por um telefonema, ora por uma mensagem – mas estavas sempre lá (ou eu assim o pensava). De todo o modo, foi bonito. E a vida, de facto, vale também por essas coisas bonitas.

Já fizemos quase tudo juntos – já viajámos, almoçámos, lanchámos, fizemos planos, até por “meu amor” já me chamaste.

Onde estás tu?

Será que te lembraste de mim estes dias????

Será que já marcaste a data do teu casamento?

E a nossa noite de dança – existirá alguma vez?

Estou curiosa pela tua chegada.

Será que alguma vez lerás estas garatujas????

Não vale a pena pensar muito, Quem sabe amanhã, amanhã eu já esqueci e é tudo tão efémero...

Aquele abraço

A”

Esta carta, não encontrou o caminho do correio, as garatujas nunca foram lidas pelo destinatário,

Mas eu não esqueci!

Nunca se esquece o que nos marca, quem nos toca, quem nos sensibiliza. Mesmo que por opções de vida se afastem.

Opções, não me venham falar em acasos azares ou infortúnios – há sempre o poder de opção. Aqui a opção foi tomada.

Hoje, sinto que foi a melhor opção.

Um Bem Haja M, por um dia te teres cruzado na minha vida.

Já valeu a pena.

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