quarta-feira, 2 de maio de 2007

Soneto da Fidelidade



De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vive-lo em cada vao momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angustia de quem vive
Quem sabe a solidao, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que nao seja imortal, posto que e chama


Mas que seja infinito enquanto dure


Vinicius de Moraes in Soneto de Fidelidade

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