O Tempo
Cruel, bom e fiel amigo.
Tudo Faz!
“ - Dá-lhe tempo!”
Eu dei-lhe tempo.
E dei-lhe uma mão toda!
“Há rir!”
Agora dou também o braço!
“Há rir!”
Com nada se contenta o Tempo!
Se a vida sorri?
Talvez um esboço de atracção!
Pois que o Tempo o dirá!
Lá no fundo ainda o frio,
O mesmo frio de sempre,
O corpo dividido da alma.
Tal como um carro passa numa ponte,
Apenas passa, mas não é dela.
Assim minha alma em meu corpo,
Passa apenas, vai passando,
Passa e volta a passar.
Mas não é dele.
Não é dele minha alma.
A.
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