Desta vez não foi na cobertura de um prédio na parte antiga da cidade, num bar-restaurante, Mas ocorreu também numa parte antiga da Cidade. Na explanada da Graça – o meu Miradouro preferido – Miradouro da Graça!
Vinha de um jantar num restaurante vegetariano, e, só, decidi ali passar para aproveitar a noite de Verão e o bom tempo que com com ele é propício, bem como a paisagem que é única.
A explanada estava “apinhada” de pessoas, as mesas cheias, as pessoas a “palrear”. Pensei tomar uma cerveja fresquinha mesmo ali, de pé e adorar Lisboa à noite. Encantadora! E eu encantada!
Enquanto esperava na fila para ser atendida, por distracção, passei à frente de um rapaz. Não me lembro do que ele tinha vestido. Lembro-me do seu sorriso. Uma dentição perfeita.
Um sorriso alegre e bem disposto.
Cedeu-me gentilmente a sua vez, sem palavras.
Eu lembro-me bem do que eu vestia – um top de alças preto, uns calções de ganga, umas sandálias de salto alto, e notei que mesmo assim ele ainda era mais alto que eu. Gostei.
De repente uma mesa ficou vaga e convidou-me a acompanhá-lo. Assim, sem mais nem menos, com naturalidade, como se já nos conhececemos... “quem sabe se da outra explanada”. E porque não? Aceitei.
A conversa fluiu. Falá-mos de nós – de mim, dele, do presente, do passado, do futuro, de planos, projectos, de Lisboa à noite...
Fez um elogio ao meu cabelo e como me olhava, de um modo... diferente! mas mais que tudo, fez-me sentir bem. Muito bem. Eu? Eu, fui eu mesma. Eu sou sempre eu porque não sei ser diferente - mas naquela noite fez-me sentir especial e nem que seja por isso já lhe tenho a agradecer! Foi mágico. Como só nos "sonhos" pode ser...
E a noite foi passando, “menina e moça”, de magia em magia...
Já era tarde quando lá cheguei e não sei precisar quando lá saímos. Mas creio que a explanada já estaria meio vazia apesar do bom tempo de Verão que convida a uma noite inteira na rua. Aquela noite, passou depressa, depressa demais pelo bem que estava a saber. Porque ao fim e ao cabo – o que é uma noite de conversa para se conhecer alguém? Ou mesmo uma vida?
Dois estranhos a conhecerem-se do nada. Não consigo aqui precisar de tudo o que conversámos. Sei que foi de tudo e de nada. E teríamos sempre surpresas mesmo que fosse a vida toda – assim reza a história. “Por vezes mais valem encontros fortuitos e felizes que longas vidas desencontradas.”
Chegou a hora da despedida: “ Foi...uma noite muito agradável!” - e assim nos despedimos! Sem mais. (Eu também não gosto de despedidas!)
E foi de facto – uma das noites mais agradáveis que eu passei no Miradouro da Graça.
Há de tudo nesta vida – o real e o imaginário. E quem não diz que o imaginário também não ajuda em parte à Felicidade?
Nesse dia de manhã, quando acordei e me lembrei do sonho que tive, veio-me logo um grande sorriso ao rosto. Não só pela minha imaginação, mas como se fosse uma imaginação repetida, e quase real!
È óbvio que voltarei ao Miradouro da Graça – só não sei é se jamais voltarei a ver aquele sorriso, aquela pessoa que me convidou a sentar com ele e com quem partilhei algumas coisas da minha vida.
Também ele me ficou na imaginação – na medida em que deve ficar – no campo da Imaginação.
Sonhar é lindo.Fez-me sentir linda! Perfeita! Mais não podia querer!
E é o sonho que comanda a vida!
Tudo isto é viver.
Tudo isto é ALEGRIA.
A. (dedicado àquele sorriso)
1 comentário:
A.
O Miradouro da Graça foi rebaptizado pela poetisa que cantava A terra o sol o vento o mar/ São minha biografia e são meu rosto - Sophia de Mello Breyner Andresen. Assim ela se definiu, assim também tu és.
O Fernando Pessoa dizia Aconteceu-me um poema. Espero que te aconteçam muitas mais palavras, unidas em frases, que culminam em textos férteis como a terra, luminosos como o sol, fortes como o vento e misteriosos como o mar. Eles são a tua a tua onírica biografia e o entrever do teu rosto.
Beijocas,
Ana
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