sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Anjinha

18.01.2008

Chamas-me Anjinha!

Sei que é um termo carinhoso teu, mas... já olhaste bem para ti? Não verás nos outros o teu reflexo?

Tu sim. A tua imagem surge-me sempre, ao virar de qualquer esquina, em qualquer lado, quando eu menos espero. Naquela bela cor intemporal, sépia, que sabes que eu tanto gosto e tão bem te fica. Aquela que tão bem te retrata. E tudo em ti me traz algo de paz, de protecção, de umas asas pequenas, médias, grandes, enormes!!! não importa, não importa o tamanho.

Não que as veja, mas porque as sinto. Por isso sei que as tens. São tuas. Fora as que desenhas, fotografas e compões. Tens as tuas.

Se um dia eu tiver a sorte de sentir um Anjo perto de mim, a abraçar-me, concerteza terá o teu rosto sereno, os teus olhos imensos de cor verde oceano. Como conheço bem esses olhos. Tens nos olhos o mundo, o teu e de tudo o que abarcas, e tudo em ti é de uma calmia que transparece, quase incomoda.

Quando te encontro sei que a côr sépia jamais tirará essa tua cor de olhos. Sei que aí tenho logo um colo amigo num tom de voz que quase me adormece pela sua doçura. É quase como se por alguns momentos me deixasses entrar em ti, no teu mundo sereno e partilhá-lo contigo. É aí que encontro a paz que cá fora eu perco, o ânimo que sozinha não encontro, a força que me falta, o amor que cá fora me sai ingrato.

Pelo meio das tuas asas deixas cair, apenas assim, sem mais nem menos, uma frase de Novalis

ESTAMOS SÓS COM TUDO O QUE AMAMOS.

Assim, de repente, caída do nada, esta frase embrulhada em asas para me envolver. E sinto-me envolvida.

E fico a pensar. Como será, como seria bom adormecer eternamente enrolada nas tuas asas, protegida pelo teu calor, observada pelos teus olhos verde oceano, embalada numa estória contada por ti, e jamais acordar.

A.

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